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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Graduação a distância não pode ser totalmente virtual, dizem reitores

Fonte: 03/06/2010 - 12h35 Karina Yamamoto* Editora do UOL Educação Em Guadalajara (México)
Mesmo com o avanço de recursos tecnológicos, a educação superior ainda exige a presença do aluno em algum ponto do processo. "Pelo menos as provas devem ser presenciais", afirma Juan Gimeno, reitor da Uned (Universidade Nacional de Educação a Distância), uma instituição de EAD (ensino a distância) que funciona há 35 anos na Espanha. "Afinal, precisamos dar confiabilidade à avaliação." Com exceção dos exames, Gimeno afirma ser "perfeitamente possível" fazer um curso somente a distância.
Já Yoloxochitl Bustamante Díez, reitora do IPN (Instituto Politécnico Nacional) mexicano, acredita que os universitários precisem de contato com tutores e monitores para se manterem plugados na graduação. "Um curso totalmente virtual só é possível para alunos mais velhos", diz. Os mais jovens, diz ela, "necessitam de presença real, apesar de serem os mais conectados às tecnologias". Além disso, a natureza do curso influencia o grau de "virtualização".
Em sua experiência, Yoloxochitl observou que as carreiras de humanas se prestam mais à EAD. Graduações que precisem de laboratórios e experimentos não se prestam à uma virtualização total. "Cursos de exatas, carreiras tecnológicas pedem atividades presenciais porque os alunos precisam olhar, tocar, ter vivência real [de alguns experimentos em laboratórios]", disse.
Preconceito em queda
Para Gimeno, que conduz uma insituição tradicional nessa modalidade de ensino, não há preconceito com os egressos de EAD. Pelo contrário: "na Espanha, há quem valorize nossos alunos por sua formação e, ainda, por sua força de vontade e capacidade de organização", disse o reitor.
O reitor da UFFS (Universidade Federal da Fronteira do Sul), Dilvo Ristoff, concorda que o tabu com esse tipo de ensino está diminuindo dia a dia. "Fiz um levantamento em 2006 com dados do Enade [Exame Nacional de Desempenho de Estudantes] e os alunos da modalidade a distância tinham desempenho semelhante ou melhor que os alunos do presencial", contou.
*A jornalista viajou a convite da organização do 2º Encontro Internacional de Reitores Universia

segunda-feira, 29 de março de 2010

Governo de SP lança programa de ensino a distância para professores

Fonte: 29/03/2010 - 21h43 - MARIANA PASTORE - Colaboração para a Folha Online
A dois dias de deixar o governo do Estado de São Paulo para disputar a Presidência, José Serra participou do lançamento do Redefor (Rede São Paulo de Formação de Profissionais da Educação) na tarde desta segunda-feira, no Palácio dos Bandeirantes, localizado no Morumbi, zona sul da cidade. Em parceria com a USP (Universidade São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), o projeto vai oferecer formação especializada a distância e presencial aos professores da rede estadual.
O governador foi breve em seu discurso, que não durou mais de dez minutos, e explicou o programa que terá um investimento total de R$ 109 milhões, sendo R$ 32 milhões previstos somente para este ano.
Executado por meio da Escola Paulista de Formação Docente, o Redefor oferecerá cursos de especialização a distância, com um encontro presencial por mês, para 30.000 profissionais da rede pública do Estado ao longo de 2010, 2011 e 20112. A iniciativa tem como objetivo melhorar a capacitação de professores, diretores e supervisores do Ensino Fundamental ciclo 2 (de 5ª a 8ª série) e do Ensino Médio.
Serão cursos de especialização em docência para professores das 13 disciplinas do currículo: especialização em gestão da escola, para diretores; gestão do currículo, para professores-coordenadores; e gestão da rede pública, para supervisores de ensino. Os cursos terão como referência o currículo e os materiais de apoio à sua implantação, definidos pela Secretaria da Educação.
"O problema número um do governo na área da educação é o aproveitamento em sala de aula". Serra citou outros projetos da rede estadual de ensino, relacionados a merenda, uniforme e material escolar, que, segundo ele, estão perfeitos. "Agora nosso foco é na sala de aula e o Redefor vai melhorar o ensino nas escolas."
Sobre a parceria com as três universidades estaduais de São Paulo, o governador elogiou as instituições de ensino, "teremos o primeiro time dando aula." Para ele, um dos objetivos principais do programa é a "reciclagem do professor que já está no ensino." Serra deixou o local sem falar com a imprensa.
O secretário da Educação Paulo Renato Souza, define o programa como "a cereja do bolo da gestão de Serra na área da educação." Segundo Souza, o projeto significa a definição de currículo para a rede pública. "As três universidades elevam o tom do programa de especialização por seus prestígios. É um programa mais sofisticado porque resume tudo o que fizemos nesses três anos."
Questionado sobre a eficiência de um curso a distância, o secretário considerou: "Vai acabar a resistência a curso a distância. Isso já acontece no mundo inteiro." O programa ainda vai entregar um computador a cada professor, mas a secretaria ainda está estudando a melhor forma de realizar isso.
Nos próximos três anos, serão oferecidas 30 mil vagas, mas de acordo com Souza, se for necessário ampliar o número de vagas, o governo ampliará. Ele ainda explicou como foram elaborados os cursos: "Desenhamos em função das provas de alunos e professores para suprir a necessidade dos professores."
Por fim, explicou que o programa beneficia equipes escolares. Terão prioridade as escolas que apresentarem um representante de cada área: direção, professor coordenador, e professor de cada área.
Cursos
As inscrições para os exames começam em maio e os detalhes ainda serão divulgados pelo governo. Vale ressaltar que o programa não é obrigatório aos professores e que o diploma entregue ao fim do curso é equivalente a uma especialização.
Cada universidade vai lecionar cursos relacionados às suas especialidades. A Unicamp oferecerá cursos de especialização para docentes em língua portuguesa, matemática, física, história e educação física, num total de 4.050 vagas entre 2010 e 2011 e 8.000 vagas entre 2011 e 2012.
A USP ministrará cursos para docentes em ciências, biologia, sociologia, além de especializações em gestão da escola para diretores, em gestão do currículo para professores-coordenadores e em gestão da rede pública para supervisores de ensino. A universidade oferecerá 4.060 vagas na etapa 2010-2011 e outras 8.140 vagas na fase 2011-2012.
Já a Unesp disponibilizará cursos de especialização para docentes em língua inglesa, filosofia, arte, química e geografia, sendo 1.800 vagas entre este e o próximo ano e mais 3.950 vagas entre 2011 e 2012.
Greve dos professores
Sobre a greve dos professores do Estado, que teve início no dia 8 de março, Souza declarou: "Não há negociações. Eles entraram em greve intempestivamente." Segundo o secretário, quando o movimento for suspenso a secretaria retomará as negociações.
Ele ainda afirmou que a paralisação se trata de um ato político, de acordo com as próprias declarações da presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha: "Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador", disse Bebel, como é conhecida, em manifestação da categoria realizada na semana passada.
Ela disse que a categoria deve aproveitar os últimos dias do governo Serra para protestar. Ele deixa o cargo na quarta-feira (31) para disputar a Presidência. "Vamos aproveitar enquanto o governador não sai."
O próximo protesto da Apeoesp foi marcado justamente para a data de saída de Serra do governo. Deve ocorrer às 15h, na avenida Paulista, região central da cidade.